Tenho consciência que durante esta minha existência, tenho magoado muitas almas e talvez tenha contribuído para a felicidade de um punhado delas, mas não tomo este último fato como um dado adquirido, muito menos como uma verdade irrefutável, não tenho descaramento para tanto.
Tento ajustar o meu perfil de carne e osso, ao paradigma de uma existência com algum sentido, não julguem que estou a fantasiar com um pseudo problema insignificante, estou sobretudo a tentar ser leal comigo próprio, para ser o mais claro e lúcido para com os outros, pois só o receio de não corresponder ao sonho de mim mesmo, já me deixa angustiado.
Bem sei que alguns esboçam sorrisos velhos, perante este meu palrar de cabeça vazia (ou não), quantas vezes me estendo na enxerga com os ossos doloridos mas ocos nunca, parvo às vezes, mas recorrendo ao lugar comum, inventado a preceito para justificar fraquezas humanas – ninguém é perfeito, quantas vezes vem mesmo a calhar, suscitando um despropositado clamor de aplausos comungado por todos (mesmo os que o negam) em histérica estupidez passiva e vulcânica, levada ao rubro pelos bichos pensantes.
Estranha forma de olhar, dirão, nem concordo nem discordo, seja lá como for, utilizar a inteligência que temos ao serviço dos instintos bem perceptíveis, conscientes que a vida é uma moeda com duas faces, de um lado a reflexão solitária e fria mas humana, do outro a tendência para teatralizar ou ainda fazer de conta, enfim, mas tudo misturado dá a história de uma existência, mais, ou menos, interessante, pelo menos é assim que eu vejo as coisas.

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