A garota que sempre me faz rir…
As vezes me pergunto se ela realmente me vê, ou se enxerga somente a minha máscara.
Invisibilidade.
foi o que ele viu.
A garota que sempre me faz rir…
As vezes me pergunto se ela realmente me vê, ou se enxerga somente a minha máscara.
Invisibilidade.
Céu escuro, nuvens pesadas. Mas eu gosto assim, aprecio levantar-me antes do . Espreguiço-me lentamente antes de me levantar. Só então caminho para o banheiro, onde faço minha higiene pessoal. Voltando ao quarto, sento-me em minha penteadeira de mogno antiga, a única herança que me resta de um tempo sem ilusões.
-Hoje será um dia difícil. – Disse ao meu reflexo enquanto repassava mentalmente os compromissos do dia.
Lentamente abro a gaveta da penteadeira e, com um brilho de tristeza nos olhos, admiro minha coleção de máscaras. Todas impecáveis em suas personalidades imutáveis. Selecionei três dentre as várias que possuo. Agora, sobre a penteadeira, fitava-as indeciso. A máscara do sarcasmo retribuía-me o olhar, firme em sua decisão; a ironia disfarçava uma piedade que não lhe cabia e a indiferença mal se dirigia a mim.
Mas era outra máscara que sempre me prendia a atenção. A máscara que eu mais gostava escondia-se no fundo da mesma gaveta. Ao seu lado: um maço de cigarros e um frasco de perfume. Com a ajuda do espelho, coloquei-a sobre meu rosto limpo, e instantes depois, um belo sorriso o iluminava, falso, mas perfeito em seu propósito.
Eu realmente a adorava, afinal o quê melhor do que o sorriso encantador de uma bela garota para atingir seus propósitos. O sorriso que pairava deslumbrante em meu rosto era o responsável pela estabilidade que eu conseguira.
A máscara do sorriso, em particular, servia com exímia precisão ao meu propósito: proteger-me. Uso-as há tanto tempo que nunca, nunca saio de casa sem uma dessa. Já com as portas de meu guarda-roupa abertas, escolhi uma camiseta branca. Combinaria com minha máscara angelical do dia.
E certamente, minha personalização estava completa. Nunca me engano quando escolho a máscara certa. Retornei pro espelho e vi um menino inocente, angelical com um estonteante sorriso em meus lábios frios.
Eu me admiro e me odeio por isso. Admiro, pois dentre todas as pessoas que conheço, eu sou o único capaz de me desarmar. Odeio, pois sem a reconfortante proteção de minhas máscaras, sou obrigado a ser quem eu sou, dizer a verdade e, claro, perder o chão.
Afinal, o que ganho com isso? Gosto de me sentir seguro e recluso em minha essência. É assim que encaro a dolorosa realidade da vida: escondendo-me.
Não por medo, que isso fique claro, mas por precaução. O preço de se abrir com uma pessoa, de dizer o que realmente pensa é tão elevado que chega a não valer à pena. Pelo menos para mim. Também não pensem que nunca desfrutei de tal experiência. Em ambas às vezes em que tentei, fui violentamente dilacerado, o que me fez, claro, retroceder.
Minhas máscaras não me impedem de ver a realidade ou interagir com ela. Apenas me protegem da dor que a cerca.
Olho-me no espelho uma última vez antes de colocar minha mochila nas costas e sair de casa. O mundo espera ansioso pelo belo sorriso de minha máscara.
Dançar de forma bizarra durante a noite inteira nos caixas eletrônicos dos bancos.
Apresentaçõoes pirotécnicas não autorizadas. Land-art, peças de argila que sugerem estranhos artefatos alienígenas espalhados em parques estaduais. Arrombe apartamentos, mas, em vez de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas. Sequestre alguém e o faça feliz.
Escolha alguém ao acaso e o convença de que é herdeiro de uma enorme, inútil e impressionante fortuna – digamos, 5 mil quilômetros quadrados na Antártica, um velho elefante de circo, um orfanato em Bombaim ou uma coleção de manuscritos de alquimia. Mais tarde, essa pessoa perceberá que por alguns momentos acreditou em algo extraor- dinário e talvez se sinta motivada a procurar um modo mais interessante de existência.
Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares (públicos ou privados) onde você teve uma revelação ou viveu uma experiência sexual particularmente inesquecível etc.
Fique nu para simbolizar algo.
Organize uma greve em sua escola ou trabalho em protesto por eles não satisfazerem a sua necessidade de indolência e beleza espiritual.
A arte do grafite emprestou alguma graça aos horríveis vagões do metrô e sóbrios monumentos públicos – a arte-TP também pode ser criada para lugares públicos: poemas rabiscados nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte-xerox sob o limpador de pára-brisas de carros estacionados, slogans escritos com letras gigantes nas paredes de playgrounds, cartas anônimas enviadas a destinatários previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal), transmissões de rádio piratas.
Cimento fresco…
A reação do público ou choque-estético produzido pelo TP tem de ser uma emoção menos tão forte quanto o terror – profunda repugnância, tesão sexual, temor supersticioso, súbitas revelações intuitivas, angústia dadaísta – não importa se o TP é dirigido a apenas uma ou várias pessoas, se é “assinado” ou anônimo: se não mudar a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.
TP é um ato num Teatro da Crueldade sem palco, sem fileiras de poltronas, sem ingressos ou paredes. Pare que funcione, o TP deve afastar-se de forma categórica de todas as estruturas tradicionais para o consumo de arte (galerias, publicações, mídia).
Mesmo as táticas da guerrilha Situacionista do teatro de rua talvez já tenham se tornado conhecidas e previsíveis demais.
Uma primorosa sedução praticada não apenas em busca da satisfação mútua, mas também como um ato consciente de uma vida deliberadamente bela – talvez isso seja o TP em seu alto grau. Os Terroristas-Poéticos comportam-se como um trapaceiro totalmente confiante cujo objetivo não é dinheiro, mas transformação .
Não faça TP Para outros artistas, faça-o para aquelas pessoas que não perceberão (pelo menos não imediatamente) que aquilo que você fez é arte. Evite categorias artísticas reconhecíveis, evite politicagem, não argumente, não seja sentimental. Seja brutal, assuma riscos, vandalize apenas o que deve ser destruído, faça algo de que as crianças se lembrarão por toda a vida – mas não seja espontâneo a menos que a musa do TP tenha se apossado de você.
Vista-se de forma intencional. Deixe um nome falso. Torne-se uma lenda. O melhor TP é contra a lei, mas não seja pego. Arte como crime; crime como arte.
de Hakin Bey
Curiosamente, tenho a mania de confundir insônia com a vontade arrebatadora de acender um cigarro.
Tudo começa de mansinho, apago o cigarro, deito e me aconchego ao calor dos cobertores e nestas noites que fazem frio, e nestas noites, o que mais me impressiona é a minha capacidade em mostrar imagens a cegos, a falar pausadamente com surdos e pedir respostas polissilábicas de mudos, e mesmo que depois de amputada a minha mão direita ainda se levanta para acenar o “tchau” passageiro e o pensamento corre longe, acendo outro cigarro.
Depois desta dose alucinógena de pensamentos frívolos surtidos na cabeça de um ser que ainda houve os badalos dos sinos, o barulho do motor das motos e que ainda gosta de apreciar o barulho da chuva em certas noites, decido então levantar cuidadosamente, me dirijo até a cozinha e num breve sussurrar de passos lentos chego ate ao altar de toda insônia: o monumento branco que guarda dentro de si a luz e a água gelada, as vezes como todos os homens que conheço me esqueço dos modos e tomo direto da garrafa aquele líquido gélido que bate no estômago primeiro como uma faca, mas logo se torna o mais denso calmante e novamente, acendo outro cigarro.
Em mais uma noite os pensamentos me tomaram a mente vi o quão burro posso ser ao pensar e tanto pensar e deixar de dormir, seria isso uma característica de genialidade? Não! Não seria! Os gênios aproveitam as horas de sono para recarregarem seus pensamentos, então seria uma sobrecarga de pensamentos? Bom poderia ser, se eu encontra-se uma maneira de descarregá-las. Talvez por isso que escreva e não seria isso que motivará a invenção da escrita, ou ao menos aos cigarros? Seria este o motivo pelo desespero dos senadores pela proibição do cigarro, ou então de toda a corja que assombra os fumantes nas ruas.
Assim como muitos, quando comecei a fumar, o cigarro era moda e símbolo de rebeldia (pelo menos pra mim). Ía de encontro a tudo que me havia sido ensinado. Os meus pais odiavam cigarro e, para mostrar que eu era dono do meu próprio nariz, resolvi que começaria a fumar. E novamente, as cinzas do cigarro cairam numa dança destrutiva rumo ao chão.
Talvez, o melhor seria aceitarmos que todo paraíso precisa um pouco de inferno. Agir direito é uma coisa, mas temos que ficar de olho nos que tentam “redesenhar” o mundo, apagando cigarros ou qualquer vestígio da nossa desajeitada humanidade. Se ficarmos muito bonzinhos, muito certinhos, muito perfeitinhos, acabaremos perdendo o que nos resta da felicidade.
Orquídeas. O que é maravilhoso é que essas flores têm uma relação especial com o inseto que as poliniza. Cada orquídea se parece com um tipo de inseto que é atraído por ela. Seu duplo, sua alma gêmea. Tudo que ele quer é fazer amor com ela. Daí ele voa, avista e faz amor com sua alma gêmea, polinizando-a. Nem a flor nem o inseto jamais percebem a importância do seu ato sexual. Como saberiam que sua dança dá vida ao mundo? E dá. Fazendo o que foram programados para fazer, algo magnífico acontece. Eles nos ensinam a viver. Que nosso único barômetro é o coração. Quando vir sua flor não deixe que nada se interponha em seu caminho.
Sabe por que gosto de plantas? Por serem tão mutáveis. A adaptação é um processo profundo. Temos de descobrir como sobreviver no mundo. Mas é mais fácil para as plantas. Elas não têm memória. Apenas passam à fase seguinte. Mas para as pessoas adaptar-se é quase vergonhoso. É como fugir.
Alguns meses invernais, escuros, sem gosto nem jeito, tinham-me lentamente retirado a vontade de praticar esta atividade. Ela estava esquecida, arrumada lá muito no fundo do meu espírito, coberta e imobilizada por pesadas camadas de outros assuntos por resolver. Eu ali, parado, pequeno e seco, irradiva a paz, sagacidade e discrição tranquilizadora de um monge budista. Mas ainda assim, não me sentia completo.
Um perfume, uma cor, sabores enfim, nossos órgãos sensoriais nos remetem ao nosso passado, trazendo de volta momentos felizes e outros nem tanto. Mas ainda assim, os distúrbios distímicos são muito frequentes e que o senso comum é de rotular alguém como sendo assim assado e não de o de interpelar, acolher, encorajar a procurar ajuda.
Onde vamos parar? Como será a geração futura? Não sei… Aliás até sei…Mas, por razões obvias não carece levantar este assunto. O que me intriga é que com toda evolução tecnológica, como conseguimos regredir tanto como seres humanos? Somos tão inteligentes em evoluir tecnologicamente e “burros” para desaprender o básico que move uma sociedade, como por exemplo, valores morais como a honestidade. A esperança que tenho, mesmo que minoria tem gente que vai morrer honesto, entre elas incluo-me.
“Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre, mas o meu sorriso é por consolação”
A depressão pode ser até fonte inspiradora de pintores, poetas, compositores, artistas de modo geral, mas, se não for cuidada pode também destruir (ou levar à auto-destruição) uma pessoa e seus sonhos.
Ao acordar passei na frente do espelho, notei que a imagem que lá se encontrava já não era a minha. Sim, em poucos meses tinha modificado muito… tinha alterado a minha visão de uma vida que ficou para trás, tinha alimentado a alma com palavras, o espírito com amor… e para quê? Para quê, se hoje acordo e o céu não está azul?
Trago um sorriso mentido, uma alegria fingida… porque o sol já não brilha… para mim… trago um corpo fechado com uma alma apagada… porque a lua já não sorri… para mim…
Hoje vou deixar de amar quem amo, de querer quem quero… vou deixar de sorrir só porque me apetece… vou deixar de cantar o amor e o justo… vou deixar de gritar a liberdade e o perdão… vou deixar de correr para a vida e simplesmente deixar que ela passe… por mim…
Vou voltar a ser quem era… alegre de olhos inchados e tristes… indiferente à brisa que me chama… ao mar que se entrega… à águia que clama o eu que se liberta e voa…voa…
Hoje vou desistir de mim… dos meus sonhos… vou até desistir das lágrimas… do sofrer… vou apenas ser, alguém… que me representará nesta vida de teatros constantes, de frases estudadas de sentimentos treinados e aprendidos… de voz bonita com palavras esperadas, correctas… de gargalhadas contidas e discretas…
Hoje vou desistir de mim… talvez assim seja mais feliz…
quando duas almas frágeis se encontram, ambas sentem o perigo mas não pensam em desistir mesmo que exista sempre aquela dor no coração do começo ao fim. é perigoso e revigorante. o amor é uma ode à crueldade que hipinotisa, que sustenta uma dor celestial e uma vontade imensa de viver. é uma poção desconhecida que se bebe desejando apenas que não haja fim sem pensar sobre os efeitos cruéis que ela pode causar. o sol brilha aquecendo os sonhos e esperanças tão vuneráveis e pálidos. tudo é tomado por cores e calor como se nunca houvessem sido ruins. corações cheios dessa droga se unem e se tornam um só, é algo malvado para criar essas sensações únicas, essa dor inexplicável, essa dependência quase física. e quando o amor diz não, sentimos a necessidade da morte, dilacera e te deixa sangrar com um sorriso no rosto. e então faz as almas frágeis despencarem na silenciosa escuridão sem luar, sem cor e vida. os dois lados da moeda brilhante e totalmente atrativa.
é preciso saber que esse mundo sempre partirá seu coração.
Esse texto não é meu, todos os créditos são para a dk.
Quando criança, eu costumava me intrigar com um antigo vizinho médico, cujo hobbie era plantar árvores no enorme quintal de sua casa. Às vezes, observava da minha janela o seu esforço para plantar árvores e mais árvores, todos os dias. O que mais chamava a atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava. Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muito para crescer.
Certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava. Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria. Disse-me que, se regasse suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície e ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima. Como ele não as regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo.
Assim, segundo ele, as árvores teriam raízes profundas e seriam mais resistentes às intempéries. Disse-me ainda, que freqüentemente dava uma palmadinha nas suas árvores, com um jornal enrolado, e que fazia isso para que se mantivessem sempre acordadas e atentas.Essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho. Logo depois, me mudei para muito longe, e nunca mais o encontrei.
Vários anos depois, ao retornar para a antiga cidade, que parecia ter parado no tempo, fui dar uma olhada na minha antiga residência. Ao aproximar-me, notei um bosque que não havia antes. Meu antigo vizinho, havia realizado seu sonho! O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno. Entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estavam sólidas as suas árvores: praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda. As adversidades pela qual aquelas árvores tinham passado, levando palmadelas e tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto o tratamento mais fácil jamais conseguiriam.
Especialmente pra Thais.
Sou simples, simples a ponto de me tornar complexo por isso. E nisso eu acho que já me conhece o suficiente.
Sou sincero, (apesar de que sei, todos os homens dizem isso), sincero o suficiente para confessar meus defeitos, que são muitos. Confessar que se eu trair é por que não tinha um bom caráter suficiente para ser fiel, e temo por isso…
Declaro a você que meu humor é muito mais muito inconstante… Tem dias que o dia amanhece lindo pra mim, mas tem dias que está tudo nublado. Tem dias que estou super comunicativo, mas tenho dias que só estou fisicamente, pois psiquicamente estou em outro lugar… Não acredito em romance, pois pra mim romance é uma cruel ilusão de “amor perfeito”… Se nós temos defeitos por que seriamos perfeitos em amar?
Te falo ainda que apesar de não te conhecer como quero, darei meu melhor para te fazer feliz. Mas posso afirmar que sou autêntico o bastante e digo que irei me esforçar e terei muito prazer em ver a mulher que estiver ao meu lado sorrindo… Vou procurar ser compreensível e se puder muito carinhoso, apesar de tudo que sou…
Digo a você que farei de tudo pra você se sentir feliz e bem perto de mim se tu quiseres. E no final do dia ainda sei que tu me farás bem.